Quatro kilómetros

Apenas quatro quilômetros afastam a casa do meu avô da Vila mais perto, a Vila do Santo Conde. Não era sequer uma viagem, apenas alcança para um passeio. Na estrada, antiga já de aquela, não pasavan mais de 20 carros á hora, e nas bermas, baixo uma cúpula de castinheiros e carvalhos, os sinais davam a ordem de os peões andarem pela súa esquerda, coisa que ainda levo bem gravada e rege o meu caminhar público.

Peão, sempre pela esquerda! Se se puder.

A questão não era a distância mas fugir do esmagamento familiar, e da leveza com que se estavam a produzir as mudanças que o levariam de criança aborrecida para adulto. Mas também o desafio á autoridade, a provocação e o intento de viver uma mínima aventura, e o gosto do caminhar só. Porque ao caminhar é que vêm as melhores ideias, essas que esqueço imediatamente ao tratarem de escreve-las. Porque era feliz ao me falar e também quando me dava resposta, furando sempre nos erros das minhas argumentações, esforçándo-me por me rebater a mim proprio.

Porém naquela o importante era somente desfrutar, rachar os nôs, e fitar coisas distintas sentir-me forte, na liberdade do que corre orgulhoso por puro placer sentindo cada pulo e cada salto fluir perfeito junto com o caminho, porque melhor isso que suportar as olhadas risonhas e galhofeiras dos primos que brincaram como eu mas não foram reprendidos.

Melhor era caminhar longe que suportar uma injustiça. Nem a noite nem o fome fazer-me-iam voltar.

Já irão chorar quando eu não esteja mais!

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