Blasfêmia.

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El_jardín_de_las_Delicias,_de_El_BoscoA Natureza é mudança, combinação e persistência, física e matemáticas, mas nada têm a ver com a beleza, com a bondade ou maldade, com a moral ou com a ética. A Natureza é puro ser sem imaginação, sem consciência, que nos aprisiona num jogo de probabilidades infinitas, sem jogadores omniscientes nem omnipotentes, para  ser desenvolvido sem risco de insucesso, porque todo o que for possível já foi, ou vai ser, algures.

Principiou, não foi criada, porque nem Deus existe além de nós, meigos mortais e medonhos da nossa propria contingência. Somos nós que criamos ao espreitar, ao procurar dar-mo-nos um senso à existência. Criamos como reação perante a nossa incapacidade para assumir o infinito da nossa imaginação e a leveza e precariedade da nossa probabilidade para repetir-mos. Criamos por vértigo e angústia, para ultrapassar os limites e fazermos um espaço dimensionado a nossa compreensão enquanto seguimos incapazes de sair da gaiola.

Porque para a Natureza todo é lícito – no seu jogo não sabe de direitos ou obrigações, e nenhuma motivação forma parte do seu ser – só uma blasfêmia existe: agir contra a vida e contra a liberdade criadora de Humanidade; a blasfêmia do ódio sectário e da estupidez intransigente dos homens contra si mesmos.

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